OCT | Experiência de PSA no Baixo Sul da Bahia serve de referência para outras regiões

“A crise hídrica irá unir nossos esforços para definir estratégias de mitigação dos impactos das mudanças climáticas na nossa região”, a frase de Volney Fernandes, Diretor Executivo da Organização de Conservação da Terra, instituição integrante do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), coordenado pela Fundação Odebrecht, foi dita em encontro promovido pela Associação de Municípios da Região Cacaueira da Bahia (AMURC), que reuniu mais de 50 representantes do primeiro, segundo e terceiro setor, a exemplo da Biofábrica, Bahiater, Ciapra, Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSBA), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Embasa, Ministério Público Núcleo Mata Atlântica (NUMA), Consórcio Inter Municipal da Mata Atlântica (CIMA), Instituto Nossa Ilhéus, e outros, no Centro de Hospitalidade Núcleo Papuã (CHNP).  Fernandes, chamava atenção para a necessidade de promover debates em torno do tema , buscando estratégias para mitigar o problema da falta d’água que atualmente assola diversas regiões do país.

O evento, realizado com o objetivo de trazer à pauta o tema Pagamento por Serviços Ambientais, aconteceu na última quarta-feira (25), contou com uma apresentação da experiência do Programa de Serviços Ambientais da OCT, feito por Fernandes. Durante toda a manhã os participantes puderam conhecer um pouco mais sobre a execução do Projeto Produtor de Água Pratigi, executado pela instituição desde 2012, culminando com a criação da Política Pública no município de Ibirapitanga. Diante da crise hídrica no sul da Bahia, o encontro veio em momento oportuno. Segundo Luciano Veiga, secretário executivo da AMURC, a ideia da reunião era unir forças com diversos agentes na busca de criar uma iniciativa semelhante no Sul da Bahia. “ A AMURC já vinha trabalhando em fortalecer esse desejo de criar um Programa voltado para produção da água, pensando em mitigar esse problema da crise hídrica. E estávamos em busca de um modelo, quando percebemos que havia um modelo tão perto de nós, imediatamente resolvemos nos reunir aqui para conhecer melhor. A nossa ideia é trazer pluralidade ao processo e a OCT vai ser o nosso Norte, dando para a gente essa expertise, como um centro de referência, não apenas do ponto de vista teórico, mas também do ponto de vista prático”, comenta.  Veiga afirma ainda que a partir do projeto da OCT é possível perceber que uma iniciativa de PSA pode  ser realizada na região com eficácia e eficiência.

Ao final da reunião, ficou decidido que as instituições presentes apoiarão a criação de um projeto similar na Bacia do Rio Almada, pela sua relevância social, considerando que a mesma abastece os municípios de Almadina, Itapitanga, Coaraci, Itajuipe, Uruçuca, Ilhéus e Itabuna, com foco justamente em mitigar a falta d’água da região.

“Nosso objetivo sempre foi desenvolver um modelo que pudesse ser replicado, e isso está acontecendo. O Programa de PSA da OCT foi pensando para influenciar a criação de política pública, a exemplo do município de Ibirapitanga, por entender que estruturas menores de governo possam incentivar as esferas estaduais e federal,  e para servir como base para que outras pessoas e instituições colaborem fortalecendo uma governança para a sustentabilidade no território. Então para nós, é motivo de orgulho saber que o Produtor de Água Pratigi servirá de inspiração para outros locais”, afirmou Volney. Para o Diretor Executivo da OCT, é importante que outras regiões conheçam de perto a iniciativa, e percebam que a possibilidade de transformar a realidade da sua região a partir do planejamento da paisagem não é utópica.

Antônio Almeida, secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Ibirapitanga, chama atenção para a necessidade de se expandir projetos como esse. “O nosso sentimento é de alegria por podermos contribuir para a prosperidade das futuras gerações, uma vez que estamos vivendo regionalmente um momento de crise hídrica, que tem causado muitos transtornos. Nós de Ibirapitanga esperamos continuar sendo exemplo, e desejamos que esta política pública avance no Estado da Bahia, como já acontece em outros locais, a exemplo de Minas Gerais e São Paulo”, afirma.

Um dos parceiros do projeto, Lanns Almeida, Diretor Executivo da Biofábrica, destaca a importância da OCT em se disponibilizar em repassar o conhecimento adquirido ao longo dos quatro anos de projeto: “a instituição tem uma equipe técnica de peso e competência e o grande diferencial é justamente tirar do papel a teoria e transformá-la em prática”.

Yuri Mello, promotor do Ministério Público da Bahia e coordenador do Núcleo Mata Atlântica, também parceiro da OCT, afirma que o evento foi essencial para replicar um modelo que está dando certo, uma vez que projetos de PSA existem em toda a parte do mundo. “A estratégia da OCT vem dando certo por pensar o meio ambiente como deve ser pensado, preocupado com a questão de quem está no campo ter o seu caráter econômico respeitado, ter um caráter social e também o ponto de vista de recuperação ambiental. Neste caso nos faz pensar que se cidades como Ibirapitanga, conseguem implantar uma iniciativa desta, por que cidades do Sul da Bahia não podem, uma vez que tem o mesmo perfil econômico, um mesmo perfil de atividade cacaueira? O trabalho que a OCT desenvolve neste sentido serve de exemplo para todos os outros que tenham o desejo de melhorar a região”, conclui. 


  • 27/05/2016 • Geral
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