OCT | Inovação a favor do meio ambiente

Site do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável entrevistou Volney Fernandes, Diretor Executivo da OCT. Confira: 

 

Volney Fernandes é graduado em Engenharia Agronômica pela Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco, Juazeiro-BA, e é Diretor Executivo da Organização de Conservação da Terra (OCT), uma das iniciativas da Fundação Odebrecht. Especialista em Biologia de Florestas Tropicais, Fernandes coordena ações de planejamento territorial para a promoção do desenvolvimento sustentável, utilizando estratégias econômicas de baixo impacto, com o objetivo de restabelecer os serviços ambientais na Área de Proteção Ambiental (APA) do Pratigi, no Baixo Sul da Bahia. Na entrevista abaixo, Volney conta um pouco sobre sua experiência na OCT e qual a importância de ser um líder da sustentabilidade para a sociedade como um todo.

1. A Organização de Conservação da Terra (OCT) é uma importante iniciativa para o desenvolvimento territorial sustentável. Você poderia, por favor, nos contar mais sobre o trabalho da organização e seus principais objetivos?

As ações da OCT estão inseridas no conjunto institucional do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade - PDCIS - no Baixo Sul da Bahia, um dos negócios da Fundacão Odebrecht que envolve uma rede de instituições ligadas às áreas social, produtiva, ambiental e educacional. Esta integração tem como meta tornar próspera e dinâmica uma área rural estagnada, com grande patrimônio ambiental, mudando a tendência regional de degradação florestal, desmatamento e baixa produtividade rural.

A OCT concentra suas estratégias para promover um modelo de desenvolvimento em bases sustentáveis com resultados testados e validados para as outras APAs do Mosaico do Baixo Sul e outras regiões, sempre adaptando a tecnologia desenvolvida às realidades específicas de cada local.

Dentro deste Programa, os trabalhos e ações da nossa instituição visam induzir uma dinâmica territorial que promova a recuperação e conservação do meio ambiente,  buscando sempre  a conciliação com a agenda econômica que, por muitas vezes, é a causadora da degradação. Para tanto, usamos como estratégias projetos que proponham práticas conservacionistas para que as unidades familiares dessa região se apropriem e passem a replicá-las. Dessa forma, acreditamos que podemos efetivamente estabelecer o equilíbrio da paisagem, onde os próprios agricultores sejam seus gestores e, ao mesmo tempo, multiplicadores dessa tecnologia no espaço onde atuam, sem recorrer aos recursos naturais de forma predatória.

2. O programa Carbono Neutro Pratigi é uma importante iniciativa para a sustentabilidade promovida pela OCT. Você poderia explicar como funciona o programa?

Nos últimos 40 anos perdemos mais de 36 mil hectares de floresta na APA do Pratigi, o que contribuiu para uma redução de 30% da vazão do Rio Juliana, nosso principal rio. Uma parcela de 15 mil hectares dessas áreas desmatadas foram transformadas em pastos, sendo que boa parte são improdutivos e ocupam Áreas de Preservação Permanente. Portanto, na busca de mitigar as mudanças climáticas e adequar ambientalmente essas áreas, criamos o Programa de Serviços Ambientais, tendo o Carbono Neutro Pratigi como uma das suas estratégias.

Como forma de tornar a APA uma área atrativa para projetos de carbono, investimos na sua  certificação, o que permite a comercializacão dos créditos de carbono gerados nos projetos de restauração ou até mesmo a sua verificação para as compensações. As certificações obtidas, foram a CCB (Climate Community and Biodiversity) e VCS (Voluntary Carbon Standard).

Essa iniciativa restaura, prioritariamente, nascentes degradadas, permitindo que pessoas físicas calculem sua pegada ecológica por meio de uma calculadora no site da OCT (www.oct.org.br)  que define a quantidade de árvores a serem  plantadas para compensar suas emissões de gases de efeito estufa. Quanto às pessoas jurídicas, devem apresentar o inventário de suas emissões para formalização das atividades.

Um dos diferenciais deste projeto é que, além de reflorestar as nascentes e neutralizar as emissões de gases de efeito estufa, o agricultor recebe Pagamento pelo Serviço Ambiental (PSA) prestado. O PSA é uma forma justa de compensar quem conserva nossos recursos naturais, focado na efetivação de uma economia de baixo impacto, que permitirá à toda propriedade ser geradora de serviços ambientais.

Visando consolidar uma nova alternativa de trabalho e renda para as comunidades locais, o projeto busca fortalecer a cadeia produtiva da restauração florestal, onde os agricultores são fornecedores das sementes utilizadas na produção das mudas distribuídas nas áreas de reflorestamento.

3. Quais foram os principais resultados da OCT e do programa Carbono Neutro Pratigi, nos últimos anos, para o meio ambiente e as comunidades que atendem?

Desde 2001, a OCT vem desenvolvendo estratégias de conservação na APA do Pratigi. Atualmente, mais de 800 famílias em 17 comunidades são atendidas e beneficiadas direta e indiretamente por projetos de regularização ambiental, restauração florestal, implantação de sistemas agroflorestais e pelo próprio Carbono Neutro Pratigi. Ao tempo em que atende tecnicamente parte desses produtores, a OCT também atua na governança do território, incentivando que municípios criem mecanismos de conservação, a exemplo de Ibirapitanga e Ituberá, primeiros da Bahia a aprovarem leis de pagamento por serviços ambientais.

A OCT, recentemente, também tornou-se responsável pelo primeiro grupo de agricultores familiares do Brasil a obter o seloRainforest Alliance Certified, de agricultura sustentável. Graças as ações da instituição, a matriz econômica degradadora começa a ser convertida em uma matriz com bases conservacionistas. Assim, passamos a criar um novo modelo de gestão da paisagem a partir do momento em que trata a unidade produtiva como geradora de conhecimento e de serviços ambientais que, posteriormente, poderão ser multiplicados.

Vale a pena salientar que, em 2015, a instituição alcançou a marca de aproximadamente 200 mil mudas de espécies nativas da mata atlântica plantadas.

4. A OCT atua na APA do Pratigi, área inserida no Mosaico de APAS do Baixo Sul da Bahia. Por que essa foi área foi escolhida? Há planos de colocar em prática as iniciativas da OCT em outras localidades?

Como a APA do Pratigi é relevante para conservação dos recursos naturais, no Baixo Sul da Bahia, pela sua riqueza em biodiversidade, a nossa atuação nessa área foi estrategicamente definida.

O modelo do Programa PDCIS, da Fundação, está consolidando informações, visando adaptar-se para atuar em outras localidades. A OCT, como fomentadora do Capital Ambiental, participará ativamente como parte integrante desse Programa.

5. Você acha que a OCT e o programa Carbono Neutro Pratigi podem servir de exemplo para os candidatos do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável? Se sim, de que forma?

Uma vez que o prêmio propõe que sejam pensadas inovações sustentáveis para o mundo atual, eu acredito que sim, o Carbono Neutro Pratigi serve de exemplo. Pois a nossa proposta é definir novos modelos que possam influenciar políticas públicas ou, até mesmo, otimizar as existentes, para ganharmos escala na efetivação de estratégias que promovam o desenvolvimento em bases sustentáveis, por meio da convivência harmônica do homem e seus negócios com os ativos naturais. Nossa convergência está no novo desafio de aliar sustentabilidade ambiental à viabilidade econômica, sempre pensando em inovação. Importante salientar que se queremos um futuro melhor, devemos construir agora, transformando nosso discurso em atitude.

6. Qual a relação da OCT com a Fundação Odebrecht? De que forma a FO e a OCT trabalham suas inciativas?

Além da Fundação Odebrecht ser a  fomentadora e orientadora do PDCIS, do qual nossa instituição faz parte, ela disponibiliza para todos a Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO), na qual é baseada nossa cultura de empresariamento. A FO também nos apoia tanto com estrutura quanto na orientação para a garantia da segurança empresarial das nossas instituições.

7. Como engenheiro agrônomo, na sua opinião, é possível ser inovador e sustentável na realização de projetos nesta área? Qual a importância da sustentabilidade para estes projetos?

É possível sim, pois já temos boas iniciativas postas em prática, a exemplo do PDCIS, que tem a visão do todo. Costumo dizer que a novidade é fazer, executar, pois muito do que necessitamos para mudar a realidade de um território, já está posto. O que precisamos é entender a dinâmica da paisagem, buscando conhecer e compreender as suas necessidades e perspectivas dos seus atores, e a partir daí proporcionar que esses sejam alcançados onde vivem, evitando que saiam de seu local de origem. Por isso a importância em pensar a  conservação considerando o homem e os projetos, valorizando o local onde vivem, fortalecendo suas relações com os recursos naturais, a cultura e, sobretudo, permitindo reconhecer a qualidade de vida que possuem no campo.

8. Em quais outros projetos da OCT você está inserido? Gostaria de falar sobre algum específico?

Por liderar a instituição, estou envolvido no desenvolvimento de todas as prioridades citadas acima, destacando que consideramos como mais estratégico o projeto de planejamento territorial, pois as intervenções necessárias para a estabilidade da paisagem surgem a partir do levantamneto das demandas diagnosticadas por diversas ferramentas que compõem a metodologia aplicada.

Compreendemos que precisamos trabalhar o planejamento da APA do Pratigi, por entender que devemos ser propositivos para implementação de um modelo de desenvolvimento que promova conservação dos recursos naturais. Para tanto, o projeto orienta o uso do solo considerando a legislação ambiental, e o desenvolvimento de atividades econômicas levando em conta a vulnerabilidade das unidades de paisagem definidas.

9. Pensando no Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável, quais as dicas você daria para os alunos participantes?

Inicialmente gostaria de parabenizá-los por estarem fazendo parte de um desafio que contribui para a construção da sustentabilidade do planeta. Devemos entender que somos os agentes de mudanças de paradigmas que nos trouxeram até aqui, com uma matriz tecnológica que está exaurindo nossos recursos naturais. Assim, é importante que sempre pensemos o contexto. Nesse cenário, podemos aumentar nossa perspectiva de termos mais líderes qualificados que possam promover o desenvolvimento que desejamos.

 

Para ver no site do Prêmio a entrevista , clique aqui.


  • 24/09/2015 • Geral
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