OCT | OCT Prepara agricultores familiares da APA do Pratigi para certificação orgânica

Alimentos orgânicos, sustentabilidade e agricultura familiar são temas cada vez mais em voga nas revistas, jornais e redes sociais. O motivo é claro: a necessidade de produzir alimentos saudáveis ao tempo em que promove-se à conservação dos recursos naturais. Compreendendo o momento atual, e levando em consideração dados que indicam que 70% dos alimentos consumidos no Brasil são produzidos por agricultores familiares, a Organização de Conservação da Terra (OCT), instituição integrante do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), coordenado pela Fundação Odebrecht, vem desde 2012 capacitando as Unidades Famílias (UF) e adequando suas propriedades para transição do manejo agrícola convencional para agroecológico.

Com um grupo de agricultores certificados pela Rede de Agricultura Sustentável (RAS), onde parte destes formam a equipe de  Agricultores Multiplicadores de Agricultura Sustentável (AMAS), a OCT agora prepara esses atores para serem integrantes da Rede Povos da Mata, criada em 2015 no Sul da Bahia que pretende certificar propriedades de agricultores e processadores orgânicos, além de organizar a produção para vendas em rede, por meio de circuitos de comercialização, a exemplo de feiras, e parcerias com outras Redes, como a ECOVIDA, do Sul e Sudeste do país. Segundo Ana Paula Matos, líder da iniciativa, esta é uma importante estratégia de fortalecimento dos produtores orgânicos para melhoria da sua produção e da renda por meio da comercialização em rede. “ A certificação participativa orgânica tem se apresentado como uma importante estratégia para promoção da autonomia e integração entre agricultores familiares de diferentes regiões. Fortalece a organização socioprodutiva, ao conectar os agricultores em rede, gera conservação ambiental pelas boas práticas adotadas na produção e eleva a autoestima dos participantes pela valorização dos saberes e pela troca de experiências”.

Nos dias 21 e 22 de Julho, a Comunidade Dois Riachões, em Ibirapitanga, foi sede da Capacitação do Comitê de Avaliação da Conformidade Orgânica da Rede Povos da Mata – Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC). O evento reuniu agricultores familiares dos municípios de Ibirapitanga, Arataca, Ilhéus, Uruçuça, Maraú, Santa Luzia e Itacaré, Instituições de ensino e extensão da região. A OCT participou com a equipe técnica e mais sete agricultores dos municípios de Piraí do Norte e Igrapiúna, representando os oito grupos formados na região. A capacitação foi ministrada por Fabíola Ribeiro e Gustavo Grando, consultores e membros da Rede, e Tatiane Botelho, Presidente da OPAC.

“No Brasil todo produtor que queira comercializar seus produtos como “Orgânico” deve se regularizar junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Uma das formas para obter a certificação é por meio de um Organismo de Avaliação da Conformidade Orgânica credenciado junto ao MAPA”, explica Matos. A validação da garantia orgânica pela OPAC permite aos produtores certificados o uso do Selo do SisOrg (Brasil Orgânico) nos rótulos de seus produtos. Uma vez certificados, estes produtores poderão efetuar venda direta a consumidores, indústrias, processadores, mercados, supermercados, lanchonetes, restaurantes e até mesmo, exportação.

Animado com a possibilidade de produzir alimentos mais saudáveis, livres de agrotóxicos e consequentemente mais valorizados, Jaime Lourenço, da comunidade Maurícios, Piraí do Norte, afirma que a mudança na atitude foi fundamental para a melhoria da qualidade de vida de sua família. “Se eu não cuidar do meio ambiente, como vou dar exemplo pra alguém? O exemplo é a gente quem dá na nossa área”, explica.  “Conhecer a rede foi muito bom, eu nunca tinha ouvido falar de algo assim na região. Essa já é a segunda reunião que participo, e a gente já vem trabalhando assim, sem usar agrotóxicos. Mas quando a gente conhece alguém que já participa da rede é diferente. Estivemos também em uma reunião em Serra Grande e lá pudemos ver os preços praticados e também os clientes falando da qualidade do próprio produto que consomem, e do desejo de conhecer o local onde eles são produzidos. Então tudo isso é uma satisfação para o agricultor que não tem o que esconder”, comenta.

Para Volney Fernandes, Diretor Executivo da OCT, a certificação participativa é mais uma estratégia de aliar a agenda econômica à ambiental, conservando o meio ambiente e fazendo o agricultor valorizar sua produção. “O desejo dos agricultores em estarem participando  deste processo, qualificando-se para assumir a responsabilidade de certificadores de produção orgânica, é uma demonstração clara da maturidade com que passaram a lidar com suas propriedades, a partir da ressignificação dos seus conhecimentos, de forma integrada, influenciando seu entorno a fazer uma gestão qualificada das suas unidades produtivas, reestabelecendo desta forma os serviços ambientais".

 


  • 16/08/2016 • Geral
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