OCT | Pesquisas da biodiversidade no Baixo Sul já geram bons resultados

Entre os dias 10 e 25 de Agosto, a Fazenda Juliana, no Ecopolo II da APA do Pratigi recebeu um grupo de Pesquisadores da Rede BioM.A. A rede, é um dos projetos que fazem parte do PPBio, financiado pelo CNPQ, coordenado pelo professor Rui Cerqueira da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A pesquisa integra diversas instituições de pesquisa, e realiza inventários de vários grupos taxonômicos da Fauna Brasileira.

O grupo que veio até a APA, foi coordenado pelo professor Martín Roberto del Valle Alvarez, professor titular, curador da coleção de mamíferos e coordenador do laboratório de zoologia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). O professor explica que a equipe de pesquisadores era composta por alunos de doutorado, mestrado e graduação de várias universidades, pesquisadores da Fundação Osvaldo Cruz, e que escolheram como área para a pesquisa na APA a Fazenda Juliana, por preservar grandes fragmentos de Mata Atlântica em bom estado de conservação. Alvaréz e seu grupo de pesquisadores são responsáveis pela coleta de mamíferos da APA do Pratig, e se diz empolgado já com esse primeiro trabalho de campo. “Dentre os bichos que coletamos temos vários animais comuns na mata atlântica, várias espécies interessantes, e uma que provavelmente é um parátipo de uma espécie que já está sendo descrita”. Parátipos, explica o professor, é um animal que se parece muito com um outro e portanto, são classificados como da mesma espécie. Ainda sem poder dizer exatamente de que espécie é o exemplar, ele tem certeza de que o achado é uma boa notícia para a biodiversidade local. “Eu tenho a convicção de que nós capturamos um indivíduo que amplia o ângulo de distribuição geográfica de uma espécie que ainda está sendo descrita pela ciência, a gente vai analisar se é mesmo essa espécie e se for mesmo a poderemos dizer: esta é uma espécie nova esses são os parátipos, e um desses foi encontrada na Fazenda Juliana, na Apa do Pratigi. E agora a distribuição geográfico não vai ser mais um ponto, vai ser uma área”, afirma.

Além deste indivíduo, o professor ainda conta mais novidades: “Existe provavelmente uma espécie nova também, mas está ainda a se confirmar”. Por este motivo Alvaréz ainda não pode dar maiores detalhes. A pesquisa desenvolvida pelos alunos e professores que integram a equipe do PPBIO será um marco para a Mata Atlântica. “Nós estamos no corredor central da Mata Atlântica e a região da Juliana nunca tinha sido estudada quanto a sua biodiversidade de mamíferos, e, a gente percebeu que quase não conhecemos esta fauna. A Fazenda é uma região carente de estudos e o fato da gente saber agora o que tem lá nos permite identificar que espécies estão presentes, que espécies precisam de maior cuidado, que espécies estão ameaçadas e ai identificar medidas de prevenção”, comenta Martín.

Nos 15 dias de coleta, foram capturados cerca de 12 a 15 espécies de morcego, 13 espécies de marsupiais, e 12 espécies de roedores, alé de avistamentos e identificação de mamíferos maiores como gatos do mato, preguiça, alguns primatas e 90 espécies de aves, o que comprova que a região mantém uma diversidade muito grande. “A gente tem que tentar entender como essa alta biodiversidade se insere dentro da matriz produtiva que existe na Fazenda Juliana. Eu acho que um próximo projeto de PPBio vai ser repetir esses estudos na matriz produtiva. Certamente esse tema de consórcio de produção e de manutenção de floresta junto tem um valor conservacionista elevado”, explica.

Roque Fraga, coordenador de Planejamento Ambiental da OCT, explica que o mosaico formado por grandes fragmentos florestais e consórcios agrícolas compostos por cabrucas e cacau com seringueira como é o caso da FRVJ e outras Fazendas e Assentamentos da região do Ecopolo II formam um contexto bastante permeável ao fluxo gênico das espécias que vivem nas florestas da região, funcionando como um verdadeiro Corredor Ecológico e propiciando a existências de comunidades da fauna local em bons níveis de conservação.

O professor comenta ainda, que a parceria com a OCT foi fundamental para a realização dos estudos. “Eu visitei primeiro a fazenda em 2004 e a Papuã em 2005 e daquela época pra cá eu sempre tentei ter oportunidade de trabalhar na região, sempre tive a sensação de ter uma biodiversidade maravilhosa, e finalmente o PPBio facilitou a compra de equipamentos para a pesquisa. E a OCT foi fantástica, desde o momento em que abriu as portas para conversar, ouvir a proposta, com o coordenador, e com todo o apoio para escolher as áreas de coleta, o transporte de materiais, na decisão das trilhas, a hospedagem, o transporte , os mapas. Tem muita gente na lista de agradecimentos. Institucionalmente a OCT é um apoio fantástico. E o pessoal da Fazenda também, que nos disponibilizou pessoal de campo, com dois mateiros, a gente foi super bem recebido, tivemos alimentação durante os 15 dias, fomos tratados muito bem”.

E se a coleta foi um sucesso para a Rede BioMA, na Fazenda Juliana ela também fez sucesso. Nos quinze dias em que trabalhavam no pós campo, em um gazebo montado próximo à Casa Jovem, os pesquisadores receberam a visita curiosa de diversos alunos. “Acho que porque trabalhávamos seguindo as normas de segurança ficávamos parecidos com astronautas. Isso gerou muita curiosidade”, comenta o professor.

Volney Fernandes, Líder de Serviços Ambientais da OCT, reitera que a pesquisa poderá ampliar o leque de instituições na Governança Participativa. “A importância dessa parceria tem o seu reflexo na ampliação do conhecimento da riqueza da biodiversidade da APA do Pratigi, contribuindo de forma relevante para o estabelecimento de novas relações que promovam o desenvolvimento de projetos que tem como premissas a conservação e o restabelecimento dos serviços ambientais”.


  • 25/09/2014 • Geral
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