OCT | Agricultores da OCT participam da I Roda de Discussão entre agricultores e estudantes da UFRB

Martinha Conceição, Arival Mamédio e Lourdes Mamédio: três agricultores familiares da Área de Proteção Ambiental Pratigi, que nunca frequentaram a Universidade deram aula para alunos do ensino superior na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Parece surpreendente, mas para quem conhece a capacidade de comunicação e de repassar conhecimento dos personagens desta história entende bem a importância deste momento. Os três são Agricultores Multiplicadores de Agricultura Sustentável (AMAS) e tiveram suas vidas e formas de produzir transformadas graças à Assistência Técnica da Organização de Conservação de Terras - OCT.

Em parceria com a OCT, o Grupo Banana Terra, da UFRB, promoveu um encontro para tratar do cenário da agricultura atual, e ninguém melhor para falar aos 54 alunos reunidos em um auditório que aqueles que vivem a agroecologia diariamente. O evento aconteceu no dia seis de Junho, em Cruz das Almas, e na oportunidade os agricultores responderam perguntas sobre formas de produzir, escoar a produção e até mesmo sobre as dificuldades na transição da agricultura convencional para a orgânica.

Para Ana Paula Pinto da Silva, estudante, o evento foi marcante, uma vez que trouxe o agricultor para o universo acadêmico, e além disso, por abordar a agroecologia. “São poucos os grupos que se propõem a discutir os prós e contras do uso de agrotóxico, do uso de agroquímicos e da agroecologia. Na minha opinião há muito incentivo no meio acadêmico para trabalhar com o agronegócio e falta a sensibilidade do técnico em formação em buscar conhecer o que é a agroecologia”, comenta. A estudante completa sobre a importância de abordar o tema: “A agroecologia não é se posicionar contra o agronegócio, contra o uso de agroquímicos e agrotóxicos sem uma razão ou uma solução, agroecologia vai além do plantar, ela trata da subsistência e da própria existência da pessoa”.

Quem também chamou atenção sobre o momento de troca foi a estudante Louise Rosa Monte Belo: “Para a gente enquanto futuro profissional da área, ter essa oportunidade, essa troca de informação que é muito enriquecedora para a nossa vida tanto profissional quanto pessoal. Quando a gente tem a oportunidade de ouvir o outro lado é extremamente importante para nosso currículo, para a gente se perguntar que tipo de profissional queremos quer ser, um tipo de profissional que chegar no campo e entende o que o solo está nos dizendo, o que os donos da propriedade querem dizer”.

E a troca de conhecimento também foi bastante proveitosa para os agricultores, que puderam, além de falar sobre suas experiências também ouvir os comentários dos alunos. “Foi gratificante o convite feito por uma universidade de referência nacional, ficamos felizes por poder mostrar como trabalhamos com o orgânico pensando no bem-estar do meio ambiente e da nossa saúde. Agradecemos a oportunidade de poder falar e mostrar um pouco do que aprendemos com a OCT”,   afirmam Arival e o Loudes Mamédio.


  • 14/06/2019 • Geral

Parceiros